sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
cereja cor de sangue #9
Era engraçado, por mais que via quase todos os dias o pessoal da ask eu não tinha nenhum amigo de verdade.
eramos todos como colegas, nos falavamos normal no período que ficavamos na ask mas todos sabíamos que quando fossemos embora não teriamos mais contato uns com outros, cada um seguia sua vida normalmente.
também não tinha um pai de verdade, eu tinha um homem que pagou meus estudos por 11anos mas um pai mesmo, eu nunca tive.
talvez ele tenha me amado antes de eu nascer, quando minha mãe ainda estava viva..
mas isso não importa muito pra mim, nada importa de verdade.
após dois sem ir novamente para o trabalho, quando voltei para o trabalho me contaram que a loja havia pegado fogo.
o dono havia morrido queimado, após acender um cigarro e jogar fora sem apagar, parece que pegou na cortina.
ele não soube definir se era parte da sua imaginação ou estava ocorrendo mesmo, toda sua vida estava lá, queimando ao poucos, ele estava chapado demais para pensar em alguma coisa.
sua viagem o levou mais longe do que ele esperava, do que qualquer outro esperaria..
é ele estava certo, a vida de viciado dura muito menos do que se imagina.
eu gostava dele, mas não consegui derramar uma lágrima sequer, acho que tudo aquilo me parecia um tanto irreal, como se tudo aquilo fosse um grande pessadelo, e talvez fosse.
talvez a vida seje isso, nada mais nada menos do que um grande pessadelo.
todos fomos no seu enterro, bebemos até não podermos mais, bebemos por ele!
antes de o caixão ser enterrado colocamos um quilo de maconha junto com a sua mão, ele gostaria disso, de ser lembrado como ele era, um grande drogado.
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