sábado, 13 de dezembro de 2014

Pedaços de um coração partido #1

Paredes salmões totalmente detestáveis,imagino que quem escolheu a cor não tem o minimo senso do ridículo e com toda a certeza também não deve ser obrigado a viver aqui.. Eu não sei ao certo como eu pude chegar a este lugar ou muito menos como tiveram coragem de fazer isso comigo, estão tentando explicar que foi a melhor coisa a se fazer.. será mesmo? trancar um animal selvagem numa cela seria uma boa escolha ou apenas o tornaria mais perigoso? não me entenda mal, eu não detesto esse lugar mas pode ter certeza que não é um lugar bom para se 'viver'. talvez você esteja se perguntado: onde eu estou ou melhor, como vim parar aqui. decidi escrever cartas, o único dom que não me fora roubado. Está fazendo um dia quente hoje, aqueles dias típico de propaganda da televisão céu azul, passarinhos cantando e crianças brincando na rua, bom pelo menos eu suponho isso. estou trancada num quarto, ou como eu costumo dizer numa jaula. o dia amanheceu e eu ainda não vi a cor do sol nem mesmo posso dizer que dia é hoje, talvez seja terça, ou quarta, vai saber.. não vejo a hora de sair desse lugar! bom eu acho que estou dando voltas na mesma rua ou nesse caso no mesmo lugar. vamos direto ao ponto: onde estou e como cheguei aqui. era Julho, um dos meus meses prediletos, pelo menos quando eu sabia dizer que mês estava. um dia qualquer como na maioria dos dias, amanheci de mal humor. iria viajar, meus pais tinham brigado como de costume e minhas irmãs gêmeas estavam discutindo como de costume também, sabe como as crianças são, chatas e birrentas. Eu estava fazendo carinho no meu gato fedorento e ignorando todos ao meu redor, meu pai virou pra trásredor pela miléssimaaaa vez para mandar minhas irmãs pararem de discutir e ai aconteceu o pior. quando ele virou era tarde demais para fazer qualquer coisa, a única coisa que me lembro foi minha irmã berrando "papai" e depois do barulho.. em seguida estava numa cama de hospital, eu torcia para tudo aquilo ser um pesadelo, afinal coisas assim só acontecem em filmes, não é? Eu olhei para o relógio do lado, ele marcava 3:10 da madrugada e no calendário dizia 13 de Agosto. como poderia seria possível? com toda a certeza teria algo errado. Deeconectei todos os aparelhos que pareciam presos a mim e sai pelos corredores ainda meia tonta procurando explicações, ou apenas acordar mais isso não aconteceu. acabei esbarrando numa enfermeira, ela tinha cara de ruim e duas vezes o meu tamnaho, mas ela poderia me explicar tudo. Ao inves disso me levou de volta pra cama e me aplicou uma injeção, novamente tudo que via era embasado uma calma extremamente grande e depois abdolutamente nada. acordei no outro dia, com o sol cobrindo meu rosto e com as mãos completamente geladas soando frio. eu não sabia o que esperar. um pouco depois todas as cores foram voltando a seu tom normal, havia uma mão perto da minha, olhei rapidamente com a esperança de que fosse alguém da minha família ou apenas conhecido, mas não era. Essa pessoa se assusto e rapidamente chamou um nome que não consegui entender direito, vi meu pai na porta, senti um tremendo alivio. eu via meu pai mas ao mesmo tempo não era meu pai que estava lá parado na minha frente. Aquele homem parecia muito mais velho do que meu pai, tinha olheiras profundas,era mais magrovê também. Ele sentou no meu lado, fez carinho na minha cabeça e disse que ficaria tudo bem e que também não iria me perder, quando me dei conta de suas palavras entrei em panico, percebi que ele não entrou acompanhado, foi nessa hora que o horário de visitas acabou e novamente ele me deixou. eu senti uma leve pressão no braço e tudo escureceu novamente. quando acordei estava sozinha reparei nos detalhes: uma flor meia murcha numa água amarelada, paredes completamente brancas e uma pequena janela a minha esquerda, ai a fechadura da porta se move e eu já sei por quem esperar. meu pai entrou, disse para me apressar e me vestir,.ganhei alta e iria finalmente sair daquele hospital que até ali parecia um inferno, mas no meu ponto de vista de agora, era um paraíso. cheguei em casa e era tudo silencioso, muito diferente da casa que eu conhecia. (quem tem irmãos mais novos sabe bem do que estou falando) Tinha caixas espalhadas por todo canto, respirei fundo e perguntei pro meu pai -iremos nos mudar ? ele estava com uma aparência cansada e triste e respondeu rapidamente que sim, mandou eu trocar de roupa que iríamos a algum lugar. coloquei a 1 calça que achei e desci, meu antigo namorado teria orgulho ao me ver eecolhendo una roupa tão raoido! no caminho todo não falamos uma palavra sequer, eu ainda não sabia aonde ia nem o que iria fazer por la. Se passou algum tempo e então haviamos chegado e ainda sem dizer uma palavra meu pai desceu, eu o acompanhei embora parecesse muito mais um jardim bem cuidado era um cemitério, ele me levou até um dos túmulos foi ai que percebi que tinha rosas rosas na mão, me abaixei levemente para ver o nome com lágrimas quentes ja brotando nos olhos eu li - Jully hammond e Angel hammond 2005-2013 - era os nomes das minhas irmãs, embora eu sabia que elas não estavam mais aqui, eu não tinha parado e pensado: elas estão mortas, eu não conseguia acreditar nisso. Me joguei nos braços do meu pai e chorei como nunca havia chorado,feito criança que se machucou e a verdade era essa, eu não era nada mais do que uma criança ferida,mas eu nunca me curaria. ficamos muito tempo assim, abraçados. quando consegui por alguns minutos olhei para o túmulo do lado, esperando o pior, mas não, o nome da minha mãe não estava lá.

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